2009
10.28

O papel social do Design ou do Design relacional.

No século passado a sociedade moderna estava satisfeita com as suas necessidades primarias, necessidades essas substituídas pelo consumo. Naturalmente os objectos do consumo precisavam de design por isso tornou-se na nova necessidade básica da sociedade.Mais tarde as pessoas perceberam o papel do design e da sua responsabilidade ética e social.

Hoje em dia vivemos num tempo onde toda a gente é designer. Fazemos design no dia-a-dia e quando nos encontramos com outras pessoas comunicamos e, de certa forma, refazemos o design de tudo o que nos rodeia naquele momento. Toda a gente consegue fazer design na sua vida mas os objectos e as coisas que utilizamos não devem ser apenas bonitos. Do virtual ao objecto alguém algures pensa como tornar o “produto” mais intuitivo, mais natural, pratico e também belo. Esse alguém é o Designer, que tem um papel multidisciplinar representado no seu trabalho. É ele que deve saber a relação entres coisas, o seu mundo interior, para poder explorar as suas normas. Quando o Designer começa a observar o mundo com os seus sentidos, ele primeiro descobre-se a si mesmo. Este processo de auto-descoberta é também um processo da descoberta do mundo da Natureza, com todas as relações psicotecnologicas inerentes no seu trabalho interdisciplinar. Uma vida com papel. Ele é um “médium” na nossa sociedade do consumo e quando se apercebe disso o seu trabalho respira uma nova energia. Energia do conhecimento. Conhecer a Natureza.

“The shelf life of products is getting shorter and shorter, the mountains of rubbish
higher and higher. This undoubtedly has to do with our mental relationship to death and mortality.”
“Life is related to design as nature is to art.”

Conhecer a Natureza é conhecer o Design e o seu oposto. Este é um valor muito importante para o design, na actual sociedade de consumo. Todo o Design e os seus processos precisam de ser mais intuitivo/ecologicos em todos os aspectos. Todas as relações criadas em torno do design devem estar em harmonia. Só assim o Design encontra a sua função: Ser o Design resistente ou Dasein. O Design actual deve passar a mensagem da reavaliação dos valores da sociedade moderna. Os Designers têm obrigação de deixar de criar produtos do consumo masificado e de torná-los mais sustentáveis, resistentes e recicláveis.

“…design thus has an ecopolitical and geopolitical scope, not only
because of consumption and waste but also because of production
– the use of materials and labour.”

Esta frase deve ser entendida como a base, o caminho a tomar no processo de criação. Actualmente apercebemo-nos do poder do Design, que actua como uma arma na Economia global. Tem de existir uma comunicação responsável entre o consumidor e o produtor para criar novos produtos. É essa a responsabilidade da nossa vida. Durante muitos anos o Design foi responsável pelo aumento da poluição. Agora, utilizando o design como meio, temos o poder e o dever de mudar o rumo da evolução das coisas, tentando ajudar a acordar e redirecionar a sociedade. Todos os dias vemos alguém a mandar o lixo para o chão. A rua precisa de ser limpa e isso custa recursos naturais. Alguém tem de lavar a rua com agua. A agua é um recurso muito precioso. É preciso gastar energia para purificar e bombear a agua. Depois a agua vai para os Oceanos e os peixes que nos comemos ficam contaminados. Tudo Isto porque as pessoas não querem pensar. Estão tão entretidos com os brinquedos da sociedade moderna que se fecham nas suas cidades, onde está tudo a mão, e acreditam no seu poder. As actuais condições do nosso planeta não nos permite de continuar a gastar de uma forma irresponsável os seus recursos naturais.

A redução do lixo, a reutilização, a reciclagem, as fontes de energia alternativa e a redução de desperdicio de recursos naturais deve ser a prioridade do design actual. Uma só disciplina pode não salvar o mundo mas pode mudar a mentalidade das pessoas. Pode ser um passo em frente porque o design é fundamente relacional.

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